Faz tempo que não escrevo um soneto. A filhadaputagem alheia, mais uns goles de pinga com mel, de oferenda a mim e a Seu Elias, secando o nariz com a poeira do tempo seco e ainda perfumada pela Friboi, à margem da Mangalô, quebraram um bloqueio de anos. 24 horas depois, percebo, e deu vontade de escrever.
Madrugada em claro, buxo vazio,
O quarto anuviado, porque pito.
São, exaltadas, pequenezas, ritos
Da pena. Em doença, já tardio,
De curar-se, crença. Ou, mesmo sadio,
Desesperança. Ser criança, o fito
De tudo aquilo que tenho eu escrito.
É trégua em não ter, por régua, os gentios.
Fora do mapa, um tapa bem na cara
De a quem abaixa-se cabeça, dia
Após dia. É a ira que me invade
- Se consumada, custar-me-á cara.
A poesia livra a psicopatia,
Vinga-se-me dessa sociedade.
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