Acredita em coincidência? Forçam-me os fatos, no calor da surpresa, a crer no destino, que as coisas têm motivo de se darem como são. No entanto, quando me afasto a euforia do inesperado, percebo: a beleza está no mero acaso, e não nalgum plano exterior.
Depois de ter-se Pedro cansado com tanta balbuciação a
respeito da tempestade, cogitou, por alguns instantes, mesmo quão ridículo soasse,
a veracidade daqueles comentários – mesmo que da boca de Gordim. Quando ele,
mais os outros convidados da festa, pulavam, aos berros de terem avistado o
primeiro, também não acreditei – mais fácil era imaginar um complô de uns para
enganar a todos, só pelo gozo de tirarem sarro.
Gordim tinha ouvindo de não sei quem – acho que do Leso, e
ele, do Amadeu. Fui direto à fonte. Pelo visto, não era mentira, nem
brincadeira – no jornal, pela tela do celular, ele me mostrou a notícia. Tratava-se da passagem das perseidas por nossa atmosfera. O
evento estava agendado para às 5 da manhã, e o cometa extemporâneo tinha sido
um tira-gosto. A procura de mais, desde então, não desgrudamos os olhos do céu.
Rafael botou Pink Floyd de trilha sonora pra chuva, no
carro, onde recostamos, virados pro céu. Desconsidero tudo que achava sentir da
música, após a tempestade.
Por falar em música, não foi só um avistamento que veio de
prévia. Nem precisaram precipitar para rachar, em dois, o chão. A baixada do
campinho de futebol formava um vale, no qual estávamos a direita, ouvindo Pink
Floyd, olhando pro céu, e os da direita, dentro da casa, bebiam, olhando um pra
cara do outro, escutando sertanejo universitário. Não cultivo preconceitos. Tem
hora, no entanto, em que são inevitáveis. Que alegórico aquele abismo, e
atravessá-lo, vez ou outro, pra pegar cerveja ou comida, incomodava muito.
Manoel convenceu-me de que, por absurdo que soe, tem gente que acha perda de
tempo contemplar essas coisas, porque uma chuva de meteoros não tem nada
demais.
Incomodamos a Ângela, a aniversariante, por duas vezes:
primeiro, por não querermos nos integrar ao resto da festa; na segunda vez, por
gritarmos feito loucos a cada estrela cadente que irrompia na abóboda.
A parte de nosso comportamento antissocial, foi o maior
espetáculo da minha vida. A parte de termos tomado “tempestade” ao pé da letra –
estava mais para uma chuva mesmo, a conta-gotas, inda por cima.
E quanto à coincidência que citei no primeiro parágrafo?
Bem, todos ignoravam o fenômeno, com exceção de Amadeu. Era Sábado – se fosse
no meio da semana, tendo de acordar cedo para trabalhar, duvido que teríamos
varado a madrugada. E mesmo se o houvéssemos, estaríamos em Goiânia, ofuscados
pelas luzes e fumaça da cidade. Por outro acaso, era aniversário e a chácara em
Hidrolândia da Ângelo nos presenteou com o firmamento mais límpido. Não seria
tão mágico se tivéssemos planejado. Tirei o chapéu para produtor do evento.
Espero que o seguinte não tarde tanto tempo, como é de costume de alguns
cometas; que estejamos todos juntos, novamente e quem não compareceu que se
aglomere a nossa próxima gritaria.
* Para mais sobre as perséiades:
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-08-11/chuvameteorosperseidas.html
* Para mais sobre as perséiades:
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-08-11/chuvameteorosperseidas.html

Daí o poema bonito. (:
ResponderExcluirhttp://www.astronomia.org/2012/calfugaces.pt.html
a melhor chuva de meteoros até o final desse ano é a geminídeas no dia 13 de dezembro.