A tudo o qual me cri imposto por, simplesmente, vir antes de mim, dirigi-me em oposição. Assim devemos esperar que ajam as crianças – não há melhor aprendizagem que o erro.
Não há maior engano que ouvir, cegamente, conselho. Ouve-o, mas não obedeças – meu conselho a essas crianças. É apenas por essa maneira que, já adultos, saberão se compensa, vale ou não a pena, o peso certo de cada erro e cada acerto. Quebrar a cara e depois a cabeça – eis o método (e não fórmula) do bom-senso.
Como eu havia iniciado, rompi com esses valores que me foram impostos, a fim de edificar minha moral própria. Belas palavras para uns cinco anos de hedonismo, como pagão. Hoje, eu baixo a cabeça para quem a quebrou, após a cara, mais vezes do que eu, ao passo de que por tê-la quebrado que aprendi até aqui. Ou se aprende pela amizade (nos conselhos dos mais velhos que te afeiçoaram), ou pela dor de não seguir nenhuma recomendação, quebrar as regras
para então quebrar a cara... Eu não preciso mais da dor, mas o espírito é o mesmo que pertencera, um dia, àquele pagão que, pela velha crença, preferiu tombar com as próprias pernas – na escuridão – a guiar-se por outrem, mesmo que fosse aquela luz. Meus olhos doem, vou diminuir o brilho da tela – como detesto escrever aqui.
Tomei a paixão, não mais a dor pela dor, por esta vida, como base de meu pensamento. Abri mão de um belicismo que só levava-me a tragédia. Voltei a assistir Chaves, ouvir Mamonas Assassinas, Ultraje a Rigor, UDR, a adoçar o meu café. Antes, a lógica dentro da lógica era a razão – eis que são, também, instrumentos, ao invés de apenas fins. Eu reinaugurei a mágica de viver, voltei à infância – sem o ímpeto de quebrar a cara sem saber.
Eu sou Axolotl, o zoomorfismo de Abya Yala, minha própria contradição. A larva nasce, cresce e morre sem deixar o estado larval; sempre em ponto de partida: a juventude eterna. Não a de P. Pan ou Dorian Grey, a quens velhice não alcançará; é Ouroboros, a cobra que se come pelo rabo, o
contínuo recomeço, a impossibilidade de convicções se converterem em dogmas. A história ainda é um feto; nada além de cicatrizes faz notar que passa o tempo em um axolotl.
*
Eu vislumbrei o mundo exterior sem preconceitos. Era hora de vislumbrar a mim mesmo, este ser escamado que sou, e infantil. Por antropófago, é hora de devorar a minha própria carne.
Se hoje eu prefiro a piedade ao ódio, eis que são único meus inimigos. A antropofagia é transe: tal qual, em sua pajelança, o xamã alcança a condição de gentes lendárias, bichos, nós, canibais, alcançamos nossas bocas aos membros dos mais fortes; e o vômito é o nosso adágio. Engoli a cansaço e pouco juízo de moços e mulheres apanhados – incapazes, da decadência (meu único inimigo) são vítimas e não agentes. Sem preconceitos de para comigo, fui um desses.
Ainda creio nas possibilidades das pessoas pelas próprias pernas e nas certezas da solidariedade. Aos que os desacreditam, minha pena. Ignorantes, por mais cultos que esses sejam; soberbos (e os amigos de certezas são opositores do conhecimento) e, em sua falta de humildade, a ignorância
serve de piso a tantas segundas intenções. Pobres coitados, deram crédito a suas mentiras: sem a Lei, o homem é juiz de se mesmo, e todos são escravos do bel-prazer alheio.
*
“O antropofágico se serve da esquerda e da direita, em tantos iguais”, não importa em meu vômito serei sempre esquerdista. E nacionalista, até no fato de ser um antropófago.
Não é fraqueza a solidariedade. “Da impotência em si sozinho, o fraco apela a falsidade para com os outros”, pregam os ímpios. Mas é a solidariedade um fator de evolução, e não sou caprichoso de crer não precisarmos um dos outros. Não há poder fora nossa comunhão – fraco é o burro quem rejeita essa verdade científica, e sua injustiça não é inerente a cousa alguma, é um erro de série que desvirtua nossa trajetória evolutiva – para não dizer “antinatureza”, olha para a História e não erres mais de uma vez.
Eu conheci o feio. Imaginei o belo e mesmo que não o alcance, a caminha até lá terá nos (me) conduzido a algo, pelo menos, ligeiramente melhor.
Não há maior engano que ouvir, cegamente, conselho. Ouve-o, mas não obedeças – meu conselho a essas crianças. É apenas por essa maneira que, já adultos, saberão se compensa, vale ou não a pena, o peso certo de cada erro e cada acerto. Quebrar a cara e depois a cabeça – eis o método (e não fórmula) do bom-senso.
Como eu havia iniciado, rompi com esses valores que me foram impostos, a fim de edificar minha moral própria. Belas palavras para uns cinco anos de hedonismo, como pagão. Hoje, eu baixo a cabeça para quem a quebrou, após a cara, mais vezes do que eu, ao passo de que por tê-la quebrado que aprendi até aqui. Ou se aprende pela amizade (nos conselhos dos mais velhos que te afeiçoaram), ou pela dor de não seguir nenhuma recomendação, quebrar as regras
para então quebrar a cara... Eu não preciso mais da dor, mas o espírito é o mesmo que pertencera, um dia, àquele pagão que, pela velha crença, preferiu tombar com as próprias pernas – na escuridão – a guiar-se por outrem, mesmo que fosse aquela luz. Meus olhos doem, vou diminuir o brilho da tela – como detesto escrever aqui.
Tomei a paixão, não mais a dor pela dor, por esta vida, como base de meu pensamento. Abri mão de um belicismo que só levava-me a tragédia. Voltei a assistir Chaves, ouvir Mamonas Assassinas, Ultraje a Rigor, UDR, a adoçar o meu café. Antes, a lógica dentro da lógica era a razão – eis que são, também, instrumentos, ao invés de apenas fins. Eu reinaugurei a mágica de viver, voltei à infância – sem o ímpeto de quebrar a cara sem saber.
Eu sou Axolotl, o zoomorfismo de Abya Yala, minha própria contradição. A larva nasce, cresce e morre sem deixar o estado larval; sempre em ponto de partida: a juventude eterna. Não a de P. Pan ou Dorian Grey, a quens velhice não alcançará; é Ouroboros, a cobra que se come pelo rabo, o
contínuo recomeço, a impossibilidade de convicções se converterem em dogmas. A história ainda é um feto; nada além de cicatrizes faz notar que passa o tempo em um axolotl.
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Eu vislumbrei o mundo exterior sem preconceitos. Era hora de vislumbrar a mim mesmo, este ser escamado que sou, e infantil. Por antropófago, é hora de devorar a minha própria carne.
Se hoje eu prefiro a piedade ao ódio, eis que são único meus inimigos. A antropofagia é transe: tal qual, em sua pajelança, o xamã alcança a condição de gentes lendárias, bichos, nós, canibais, alcançamos nossas bocas aos membros dos mais fortes; e o vômito é o nosso adágio. Engoli a cansaço e pouco juízo de moços e mulheres apanhados – incapazes, da decadência (meu único inimigo) são vítimas e não agentes. Sem preconceitos de para comigo, fui um desses.
Ainda creio nas possibilidades das pessoas pelas próprias pernas e nas certezas da solidariedade. Aos que os desacreditam, minha pena. Ignorantes, por mais cultos que esses sejam; soberbos (e os amigos de certezas são opositores do conhecimento) e, em sua falta de humildade, a ignorância
serve de piso a tantas segundas intenções. Pobres coitados, deram crédito a suas mentiras: sem a Lei, o homem é juiz de se mesmo, e todos são escravos do bel-prazer alheio.
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“O antropofágico se serve da esquerda e da direita, em tantos iguais”, não importa em meu vômito serei sempre esquerdista. E nacionalista, até no fato de ser um antropófago.
Não é fraqueza a solidariedade. “Da impotência em si sozinho, o fraco apela a falsidade para com os outros”, pregam os ímpios. Mas é a solidariedade um fator de evolução, e não sou caprichoso de crer não precisarmos um dos outros. Não há poder fora nossa comunhão – fraco é o burro quem rejeita essa verdade científica, e sua injustiça não é inerente a cousa alguma, é um erro de série que desvirtua nossa trajetória evolutiva – para não dizer “antinatureza”, olha para a História e não erres mais de uma vez.
Eu conheci o feio. Imaginei o belo e mesmo que não o alcance, a caminha até lá terá nos (me) conduzido a algo, pelo menos, ligeiramente melhor.
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