
Com livre-arbítrio de segui-lo, filho
Adulterino do destino, trilho
Sozinho, por ser frígido, o caminho
Fatídico de um espírito finito:
Do ninho ao ímpio frio do jazigo.
Caminho cíclico, sem objetivos
– Vivo e simplesmente vivo,
Não atinjo mais que isso.
Porém, se estava escrito, há algum sentido
Para, desde nascido, ao último suspiro,
Tanto martírio? Manter-se vivo, ter filhos,
Seria simplesmente isso, morrer traçado
Pelos signos do zodíaco?
Por ter assim crido,
Manter-me foi difícil; às vezes, desmotivo
– Eu vivo, não apenas sobrevivo.
Nem me dedico, de exclusivo, a instintos,
– Vivo-os tão-somente, não os sirvo.
Caminho cíclico que,
Mesmo previsível, é um labirinto.
Nele, tantos amigos perdidos
Pelo estado clínico – vivem sob o crivo
Da libido e do alívio; outros, pelo assassínio;
Alguns fugiram frente os perigos de um hedonismo atípico.
Para mim, relativo: não sou, só brinco de libertino.
Afinal, não preciso dos instintos extintos,
Nem acredito em, devido aos sentidos,
Castigo. Mas, se caminho sentido,
Não vejo sentido para senti-los
– Os sinto, não consigo. Não mais os privo
– O regozijo é intrínseco a qualquer ser vivo.
Se, vez ou outra, por vacilo,
Eu o persigo em labirintos, tinto
Vinho e absinto, litros, eis que minto
Para mim mesmo, porque não há desvios
Nesse caminho, quanto mais no vício
– É só um esconderijo esse artifício.
Viver sob o crivo do alívio e da libido
É um desperdício.
Geralmente, quando aflito,
Em discos, livros, me alivio,
Nos cimos, por sobre um coração vazio,
E através desses ritos me aproximo do divino.
Por papiros,
Escritos que me inspiram, por antigos,
Ao som de ritmos esquecidos – o que evito
Tem, no tardio, abrigo.
Será tudo real, ou fantasio?
Penso, logo hesito nesse quesito.
Frente o desconhecido,
Inquiro, talvez por capricho.
Me inclino a acreditar que só agora sinto quem tenho sido:
Signos e símbolos do metafisicismo
De Hesíodo a Ovídio. Pelo abismo
Eu engatinho. Desde o mais comezinho ao impossível,
O equilíbrio.
– “Tornar-me um mito, não é por isso que caminho”.
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