Rompo com a direita e com o conservadorismo. Malgrado a esquerda de minha meninice – mais empolgação que ideologia – não a retomo (a esquerda).
Quem, antes dos vinte, não experimentou ser de esquerda, não tem coração. Depois dos trinta, se assim permanece, não tem cérebro. Concordo só com o primeiro período desse postulado de Winston – mesmo assim, a esquerda não me atrai, nem um pouco.
Eu lembro o exato momento da epifania: sem preconceitos, vislumbrei A. Smith. Estava lá, sentado no chão do corredor do segundo andar do colégio, com Andrew, falei-lhe mais ou menos assim, sem muita convicção: “o capitalismo não está tão errado”. Daí em diante, as raízes e reformas justas do liberalismo me serviram de fonte. Creio, desde então, nas possibilidades do mercado e nas certezas do bem-estar social.
Todo asco para com o capital, que pende os homens ora para o socialismo, ora em direção ao fascismo, era fruto de preconceito – assim cheguei a acreditar. Injustiça não é trabalho de Smith, é inerente à humanidade. Assim, na ignorância e empolgação de meus primeiros anos como direitista, eu cri. Sobre a burguesia, ressurgiram feudos. Românticos, parem o idealismo, cosem toda a pompa vitoriana. Os engenhos são financeiro. Inventa-se o cartel e recria-se a colônia. O liberalismo é corrompido em sua função de combater monopólios.
Vi-me na encruzilhada: ou uma direita falsa, que num patriotismo de fórmulas vazias mascara seu entreguismo, ou uma esquerda burra que, quando alcança o poder, tarda em mantê-lo e falha. E, ainda por cima, eu aprendi a gostar de uma esquerda meio utópica, talvez cristã – mesmo quem ouve por poucas vez, quando criança, sobre tais enredos, não se esquece facilmente.
Veio-me então, latejando a memória, Rinpoche, sobre se alimentar de pensamentos dualistas; Lao Tsé, sobre não distinguir.
O antropofágico se serve da esquerda e da direita, em tantos iguais. O produto é o seu bom senso.
Na síntese das antíteses repousa a verdadeira dialética. Quando não meramente materialista, o bom senso transcende à política.
E assim se transcende o dualismo: digerindo-o. Além do mais, só reconhece o belo quem conheceu o feio.
Quem, antes dos vinte, não experimentou ser de esquerda, não tem coração. Depois dos trinta, se assim permanece, não tem cérebro. Concordo só com o primeiro período desse postulado de Winston – mesmo assim, a esquerda não me atrai, nem um pouco.
Eu lembro o exato momento da epifania: sem preconceitos, vislumbrei A. Smith. Estava lá, sentado no chão do corredor do segundo andar do colégio, com Andrew, falei-lhe mais ou menos assim, sem muita convicção: “o capitalismo não está tão errado”. Daí em diante, as raízes e reformas justas do liberalismo me serviram de fonte. Creio, desde então, nas possibilidades do mercado e nas certezas do bem-estar social.
Todo asco para com o capital, que pende os homens ora para o socialismo, ora em direção ao fascismo, era fruto de preconceito – assim cheguei a acreditar. Injustiça não é trabalho de Smith, é inerente à humanidade. Assim, na ignorância e empolgação de meus primeiros anos como direitista, eu cri. Sobre a burguesia, ressurgiram feudos. Românticos, parem o idealismo, cosem toda a pompa vitoriana. Os engenhos são financeiro. Inventa-se o cartel e recria-se a colônia. O liberalismo é corrompido em sua função de combater monopólios.
Vi-me na encruzilhada: ou uma direita falsa, que num patriotismo de fórmulas vazias mascara seu entreguismo, ou uma esquerda burra que, quando alcança o poder, tarda em mantê-lo e falha. E, ainda por cima, eu aprendi a gostar de uma esquerda meio utópica, talvez cristã – mesmo quem ouve por poucas vez, quando criança, sobre tais enredos, não se esquece facilmente.
Veio-me então, latejando a memória, Rinpoche, sobre se alimentar de pensamentos dualistas; Lao Tsé, sobre não distinguir.
O antropofágico se serve da esquerda e da direita, em tantos iguais. O produto é o seu bom senso.
Na síntese das antíteses repousa a verdadeira dialética. Quando não meramente materialista, o bom senso transcende à política.
E assim se transcende o dualismo: digerindo-o. Além do mais, só reconhece o belo quem conheceu o feio.
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