O Sol frondeia, d'água fria, a areia,
Ao ir do dia, frondescendo a beira
Umedecida pela afronta à cheia
À espreita em vales sob a cachoeira,
A impondo formas cuja luz frondeia
E cuja frondescência é uma fronteira,
A da beleza da palmeira e a forma
Amorfa, o caos concreto, a abstrata norma,
Enfim, aquilo etéreo e o que se toca.
A obra dele é mesmo assim: a boca
Autora, outrora, de abstração, sufoca-a
Às águas frígidas e tal voz louca
Em línguas híbridas parola, aloca,
Em metafisicista fala rouca,
A cor mestiça intrínseca do misto
Entre a matéria e a ideia. Mas persisto
Ao Sol, de fronte à fronde que formara,
Ali, da luz banhando-se na praia.
Adorna suas formas de tez clara
Amorenada em marcas do que raia
– O Sol, que para para ver a rara
Aparição e nela ele desmaia.
É só que, todavia, em ida, vinha
E vinda a vívida visão de minha
Afronta a minha mente inconsciente
– Em um suspiro audaz toma por leme
Ideias que só entende, mas não sente
E imagem que entre cujas curvas treme.
Àquela aparição, corre tão rente
O ser e o nada... De repente, "lê-me"
Ordena, como a esfinge, e sua fala
Ébria e calada finge que se abala
Ao toque de meus olhos e se cobre.
O Sol colore as suas costas, sobe
Em sua tez canela a cor de cobre
E erode-me. Eu a toco antes que a improbe
Ou descontrole por completo, ou dobre
- Em meus sentidos - o sentido, englobe
O entílico prazer à lisergia
E flores ressequidas. A queria.
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