07/03/2013

SONETO SERTANEJO


Na clareira aberta, a queimada, o mato
Fechado que já, antes de se queimar,
Foi a mata virgem, persiste e dá
Fruto. A casca agora é grossa a meu tato,

Doída a esse peito que é onde a mato,
Pros olhos, feio e azedo, ao paladar.
Capoeira dentro do cerrado, ar
Irrespirável e amargo é meu prato.

Lá, na clareira, de frente pra casa
Grande, à direita das cercas, debaixo
Da bananeira, atrás do canaviais

Sou uma agulha no palheiro em brasa
No meio do planalto central. Acho,
Nos cupinzeiros, relevo, eis Goiás.

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