21/01/2013

ASSIM FALAVA HÉLIO LUCAS


A força só se afirma pela vitória. Ninguém é dono da razão se não demonstra, na prática, a ideia. Ideologia que, no mãos a obra, só deu errado, é tal qual na teoria quanto no mundo dos fatos. Não caia na conversa de quem diz “essa ideia só é boa na teoria, na prática, é outra coisa”. Ora, se o discurso não se comprova, a invalidade, igualmente, repousa nesse discurso.

Delimitemos a vontade pela palavra, isso é, em conceitos claros, e realizemos a palavra pela ação. É preciso traduzir o a priori para o empírico e, só assim, passar a defender um ponto de visto, caso contrário, balbuciará. Não dês ouvidos a esses que falam demais, criança, não lhes dês ouvidos.

O matuto, no laconismo da natureza, é mais instruído, pelo bom senso, do que o doutor, cujo sentidos se atrofiaram pelos sofisma acadêmico. De que valem teus livros, leitor, qual o valor desses que citas se, no final, não serão eles a validar tua fala? Não desces do pedestal, mesmo depois de tudo aquilo em que crês nunca se terem mostrado?

Falta humildade nos filósofos e, pela soberba, jamais conseguirão realizar sua filosofia. Nos tribunais superiores, em suas intermináveis discussões doutrinárias, que bem fazem ao Brasil – acreditam os desavisados. No STF, quando do julgamento da legalidade ou não da marcha da maconha, a Procuradora-Geral foi aplaudida por nossos intelectuais, ao discorrer sobre o giro lingüístico e Wittgenstein; quando no caso dos anencéfalos o Min. César Peluso lia textos inteiros em italiano... Deus, como pode gente tão esclarecida enxergar, em tanto falatório, utilidade. Em vez de saírem às ruas, para conhecerem a realidade, crêem aprendê-la nos livros – afinal de contas, de que vale um fato se ele ainda não foi objeto de uma tese de doutorado?

Julgam-se, pelos autores que leram, pelas línguas que falam, mais racionais que o povo, quando, de facto, é a insegurança, um complexo de inferioridade a os mover a esse apego que nutrem pelas medalhas no peito, a se exaltarem em título em cima de título. Esses são os doutrinadores de nossos tempos, como Sansão que, pela paixão (nesse caso, a vaidade), derruba colunas do templo, e se sepultam sob as ruínas.
           
Quem quiser deixar toda a pompa de lado e inovar, deve, antes de tudo, firmar o seu espírito contra qualquer perigo do ego, deve purificar-se, matar os seus deuses e, com eles, a moral de seus mestres. Por quarenta anos o povo Moisés vagou pelo deserto, quatro décadas às quais se consumira uma geração – desintoxicaram-se do Egito, para nascerem enquanto uma nova nação. Édipo mata o pai, perfura seus olhos e, só assim, se encontra. Nietzsche assinou o atestado de óbito de Jeová, sepultado por Voltaire – e o conhecimento se emancipou da teologia.

A purificação intelectual está na abstinência da moral, numa vida de poucos excessos, na supressão da leitura e da influência de qualquer companhia, na meditação. Ser dócil e digno a toda ideologia, mas nas nunca deixar-se absorver por elas. É claro, não é sempre, este será o teu deserto

Enfim, mais que encontrar o bom senso pelo neutro, procura-o pela oposição dos extremos, coloca lado a lado, no mesmo plano, argumentos contraditórios, pois a verdade é fluida, e nunca estática, afinal, agir sempre no mesmo sentido é sobrecarregar um único prato da balança, e aí se perdeu todo o equilíbrio – a neutralidade é uma ilusão.

O último ato é o próprio ato – só na prática, uma teoria é verdadeira. Não há argumento válido além da ação. Defende o que não provaste, balbuciarás, como têm feito todos os gurus da nova era. Não se misture com essa gentalha, inove!

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