Sob as cordas da viola, ele
mora,
Quem chora toda vez que se, em má ora,
O amolam. Na rede ele enrola o seu
Fumo e astuto a tudo que, de Lá, vê-se,
Cobra alto em ser perturbado por desses
Que passam por lá só as vezes. Céu
Anuviado, mas o Sol, inda, a pino
E ele pita. Pausa. As cordas afino.
Mais um gole de cachaça, e prossigo.
Me ameaça – quem eu penso que sou
Para ir indo, assim, sem pedir favor
E assustá-lo? Posso esperar castigo –
E, esperando-o, nada me desconcentra,
Que ouvi dizer por aí que quem entra
Aqui sem pedir jamais voltará
A Si. Licença, dantes, não se troca
Por desculpas, agora, que é da boca
Pra fora. Me manda: "canta, até o ar
Acabar na garganta", mas não gosta
Do que canto e, rindo-se, me dá as costas.
Caio em pranto e quem me consola é o gole
– Ele o
reprova, no canto, mas como,
Entornando um garrote igual água? Tomo
Por lição de vida, "não te consoles
Com pinga", que, como se não houvesse
Amanhã, ele bebe, porque é um desses
Que o faz por que gosta, não dos que afoga à
Marafa a mágoa – ele bebe sem Dó,
Meu diabo da garrafa, ou, melhor
Das cordas sem nó, da viola, soga.
A tristeza ensina igual a alegria
E o caipira não a evita não, tia.
Esse ditado, dado, por cumprido
É tomado: vai e Fá-lo, que é da lei,
É inevitável. Um trago, que hei,
De cumpri-lo, meu rei. Se ainda lido
Mal com minha vida, meu filho, já
Está melhor do que antes, apesar
De nunca sair do meu jeito, eu pelo
Menos tento e tentando tenho causo
Pra te contar. Mesmo sem tempo, pauso
Hoje em dia, e que dias, eu, só em vê-los
Passando, me perco – e o acaso sai
Bem melhor do que eu planejo. Sem mais
Nem menos, cada astro, na sua casa
Desafina minha sina – a tarraxa
Foi quebrada. E quem tu achas que a racha?
O preto-velho carpinteiro – brasa
Do seu palheiro é lua cheia e estrela
Que clareia o mundo inteiro – de vê-las,
No céu, me lembro de que é companheiro
Nos piores momentos, e a viola,
Quando chora, é seu lamento. Compô-la
Em verso é a adoração do tropeiro.

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