Seara acidentada a em que estivera,
Encruizilhada infesta por poeira
E por fumaça das queimadas. Mera
Esta paisagem derradeira inteira
- Ensimesmou-me esta alma de quimera
À costa doutra plaga brasileira.
Esse altiplano era o meu fado,
Essa savana em qual fora cerrado.
Fui condenado pelo pasto ao clima
Em que vivia, todo o dia, seco
E quente. Ressequido, o pasto entima
A perecer na capital - um beco
Onde a saída, (a minha vida), prima
Esse planalto análogo a um El Greco.
Em cada vista, o maneirismo dista
Esta distância andada por paulistas
E pelos goiás. Crônica de um crônico
E cômico episódio desse espólio
Esmeraldino ou áureo. Anacrônico
Ainda lamentar-se? O oligopólio
É o mesmo de antes, do europeu bubônico
Que ateia fogo na água onde eu me molho;
Ascende-nos cachaça, cruz, açoite
E a língua de uma milenária noite.
Noites à parte, a tarde cai e a grama,
Avermelhada de poeira, seca
Às margens de açoreamento, aclama
E clama por vingança. O fogo peca
Abrindo pasto novo, a mata inflama
E a seca do Cerrado me disseca.
A grama morta e a mata que caíra
Impedem de chover sobre os caipiras,
Pois a si próprios condenaram-se ante
O orgulho de sentir-se um condenado
Em seus destroços, por negócio avante
O crescimento de Barões do Estado,
Aqueles mesmos bandeirantes de antes,
Fazem pensar que o índio cresce ao lado.
É o preço. Mas choveu - por um segundo -
E os bem-te-vis cantaram, moribundos.
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